quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Trajetórias e Territorialidades Negras - Parte II

Formada entre as cidades do Rio Grande e Pelotas, a religião do Batuque, ou Nação, assim como o Candomblé baiano ou o Tambor de Mina maranhense, é uma religião de culto de orixás, entidades de origem de nações africanas, em diálogo com o catolicismo popular brasileiro e seu culto aos santos, que são reelaborados. Percurso religioso que cria uma profusão de formas simbólicas coerentes na lógica de seus rituais de possessão e visão de mundo, na forma em que se estabelece o relacionamento entre homens e orixás.                                           
Alguidares usados para as oferendas aos orixás e entidades. 










Na Umbanda, uma religião brasileira de cruzamentos, reelaboração e síntese de diversas religiosidades, em que homens se relacionam cotidianamente com entidades e forças espirituais, a figa é um amuleto contra “mau-olhado”; os Exus Tiririca e Pomba-Gira Cigana são senhores das encruzilhadas e das agências transformadoras das vidas daqueles que os cultuam.





















*trecho retirado do Catálogo do Acervo Arqueológico e Etnográfico Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

Catálogo do acervo arqueológico&etnográfico/Coordenação de Walmir Pereira.-Porto Alegre: Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (CORAG), 2012.








quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Trajetórias e Territorialidades Negras - Parte I

As experiências e trajetórias sociais dos negros do Brasil expõem a complexidade e as tensões de uma sociedade marcada por hierarquizações e desigualdades, ao mesmo tempo que se constituem em reelaborações criativas de referências culturais, no cruzamento tenso de diferentes tradições frente a experiências de rupturas e desenraizamentos, e a marca da construção de novas territorialidades, pertencimentos e socialidades. Desenraizamentos de diversas tradições de povos africanos – bantus, nagôs, jejes, fulas, fanti, ijexás, cabinda, mandingas, entre outros – que se reinventaram fragmentária e criativamente como visão de mundo em novas religiosidades que se cruzaram com tradições católicas, espírita e com xamanismos indígenas, nas diversas religiões afrobrasileiras, marcando a rica diversidade cultural de vivências, estéticas e interpretações da realidade. Rupturas e violências desestabilizadoras da época da escravidão, vivas na memória social, e que são restituídas em movimentos estéticos negros, ou nas territorializações cotidianas de comunidades quilombolas, nas performances musicais de sambistas, rappers e diferentes formas de lidar com racismos e desigualdades presentes.   


As comunidades remanescentes de quilombos, o Rio Grande do Sul, organizadas por redes de parentesco, habitam territórios e paisagens comuns em que se enraízam na lida cotidiana do trabalho e da moradia, nas festas religiosas e da família.
Essas comunidades narram pertencimentos de longa duração, atualizando memórias coletivas de ancestralidade escrava e resistência cultural.

Na imagem, quilombolas da comunidade de Cerro-Espumoso, “na lida” entre o roçado e a casa.


Nas fotografias e reproduções doadas por familiares, imagens que se desdobram em narrativas de lembranças por elas evocadas, pode-se trilhar percursos sociais que os negros experienciaram em suas complexas inserções no tecido social brasileiro e gaúcho.





Na trajetória de formação das casas de Nação e das Famílias de Santo da religião do Batuque no Rio Grande Do Sul, observa-se, no retrato, o gesto – linguagem corporal – de Mãe Apolinária (ao centro), que exibe prestígio e respeito da importância de seu estabelecimento na década de 1950.








Na imagem, Mãe Deolinda de Xangô Iomé, segurando carneiro e com filhos de sua Casa de Religião em Porto Alegre, início do século XX, em contexto de pós-abolição, quando rituais de matriz de tradição africana eram proibidos e veementemente perseguidos pelo Estado. Importante na formação das Famílias de Santo e do cenário religioso da época. Mãe Deolinda deu origem a diversas casa de culto de tradição Ijexá.




*trecho retirado do Catálogo do Acervo Arqueológico e Etnográfico Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

Catálogo do acervo arqueológico&etnográfico/Coordenação de Walmir Pereira.-Porto Alegre: Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (CORAG), 2012.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

9ª Bienal do Mercosul

Segue até o dia 10 de novembro as exposições da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Os principais pontos contemplados incluem a Usina do Gasômetro, o Santander Cultural, o MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul e a Fundação Iberê Camargo.

As interações do público com a 9ª Bienal incluem trabalhos comissionados que envolvem colaborações entre artistas e empresas da região do Mercosul; expoisções de arte contemporânea de artistas emergentes e influentes; uma série de publicações; um programa de mediação dinâmico; e um programa estratégico de divulgação que reflita as mudanças históricas na tecnologia da comunicação ao longo dos séculos.


Confira algumas fotos da exposição e vá conferir!








Não  esqueça da 59ª Feira do Livro, que começa no dia 1 de novembro na Praça da Alfândega, POA.
Mais informações no site: http://www.feiradolivro-poa.com.br/

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Café Antropológico

Prez@dos,

No dia 26 de setembro, quinta-feira, haverá um encontro com palestrantes indígenas para conversa
e empréstimo de Kits Pegagógicos Povos Indígenas.
A atividade será no Santander Cultural e terá início às 14h.
Contamos com sua participação!
Maiores Informações no folder em anexo.

Atenciosasmente,
Equipe MARS


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Formação de Professores em Guaíba

Kaingang João Padilha
A técnica Estela Galmarino e o diretor Walmir Pereira participaram nesta quarta-feira, 11, da ação promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Guaíba.
O evento que ocorreu durante todo do dia no auditório da prefeitura de Guaíba tinha como principal objetivo contextualizar a Lei 11.645/08.
Voltado principalmente para professores da rede municipal, o evento contou com as palestras  "Questão Indígena", ministrada pela técnica do MARS e Historiadora Estela Galmarino, "Como Trabalhar as Diferenças", ministrada pelo diretor do MARS  e Antropólogo Walmir Pereira e "Atualidade Indígena', ministrada pelo casal Kaingang João Padilha e Iracema Nascimento.


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