terça-feira, 25 de junho de 2013

TRADIÇÃO TUPIGUARANI

Somando aproximadamente 70% da coleção do acervo arqueológico do MARS, os objetos da cultura material dos Guarani são referentes aos períodos pré-colonial e missioneiro.
O ambiente ecológico do Guarani, por excelência, é a mata subtropical, nas margens de rios e lagoas, nas proximidades do Oceano Atlântico e na encosta do Planalto Meridional.
Deslocando-se da bacia amazônica no início da Era Cristã, em sucessivos movimentos migratórios, os Guarani colonizaram o Rio Grande do Sul, onde introduziram o cultivo de várias plantas: milho, mandioca, batata-doce, amendoim, abóbora, fumo, feijão, urucum e algodão. A dieta alimentar era complementada pela caça e pesca.

A datação mais antiga obtida em território gaúcho, na calha do rio Jacuí, é do ano de 400 da Era Cristã.Até perto de 1800, resistiram ao avanço da ocupação europeia, mantendo-se em grupos isolados e buscando sempre lugares remotos.
A grande maioria dos sítios desta tradição é a céu aberto, o que torna quase impossível a conservação de restos orgânicos.


A Cerâmica Guarani
A cultura material dos Guarani pré-históricos que aqui se estabeleceram é vasta e diversificada. Parte dela, constituída por fragmentos cerâmicos provenientes de vasilhas usadas no dia a dia dessas populações, tem sido recuperada pela arqueologia. A análise desses fragmentos é importante porque, mediante técnicas de laboratório, pode-se reconstituir a forma do recipiente cerâmico e, por comparação, relacionar esses fragmentos com recipientes inteiros encontrados.

As vasilhas cerâmicas variam muito de tamanho e forma, tendo sido, quase todas, confeccionadas pela técnica de acordelado. Partindo de uma base cônica, a artesã guarani ia sobrepondo e juntando roletes, através de pressões regulares do dedo polegar, em sentido perpendicular à borda, dando o formato e a dimensão desejados. Sua marca distintiva é o tratamento dado à superfície externa. Dentre as muitas variações e combinações, predominam a corrugada, escovada, ungulada e pintada (mono ou policrômica).




Borda de vasilha cerâmica corrugada 




As vasilhas recebiam várias denominações: yapepó (panelas); cambuchi (talhas); ñaêmbé (pratos).
A nominação das peças está associada à forma e à função. Talhas de grandes dimensões, que podiam alcançar até mais de um metro de altura e/ou diâmetro máximo, eram utilizadas para armazenar bebidas preparadas a partir da fermentação do milho ou da mandioca. Vasilhas um pouco menores serviam para transportar água.

                                  cambuchí caguâbá (vasilha para beber)

                                               cambuchí caguâbá (vasilha para beber)
  
Os vasilhames de cerâmica guarani conservados inteiros foram quase todos encontrados em sepultamentos primários ou secundários, sendo utilizados como “urnas funerárias”. Sua função primordial, no entanto, teria sido a de transportar e armazenar líquidos.






Os Guarani também foram artesãos líticos, como atestam os percutores, os machados petaloides, as pontas de projétil, as mãos-de-pilão, os tembetás (adornos labiais masculinos) e outros artefatos em pedra que compõem o acervo do MARS.

Mão-de-pilão em basalto colunar


Lâmina de machado triangular 



Lâminas de machado polidas

*trecho retirado do Catálogo do Acervo Arqueológico e Etnográfico Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

Catálogo do acervo arqueológico&etnográfico/Coordenação de Walmir Pereira.-Porto Alegre: Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (CORAG), 2012.

2 comentários:

  1. Olá Pessoal...tudo bem.
    Estou fazendo um trabalho solitário sobre a história da antiga fazenda santa anna do acarahu em são vicente em são paulo.Caso vcs tenham um tempinho visitem meu blog:
    http://fazendasantaanadoacarahuemsaovicente.blogspot.com.br/
    abraços.

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