quinta-feira, 25 de julho de 2013

ETNOLOGIA INDÍGENA - PARTE I

Em sua significação original, a ciência etnológica - a Etnologia - designava-se ao estudo dos povos e sociedades originárias não ocidentais. Por sua vez, a Etnologia Indígena desenvolveu-se no País, nas décadas iniciais do século XX, como uma das áreas temáticas fundadoras das Ciências Sociais e da Antropologia Social, em particular. A própria aplicação do conhecimento está associada e ampliada às condições socioculturais e políticas que propiciaram o surgimento da Antropologia no Brasil.
Contemporaneamente despontam, entre outros, os seguintes temas e linhas de pesquisa: Organização Social, Cosmologia, Parentesco, Mitologia, Rituais, Relações Interétnicas, Interculturalidade, Corpo e Saúde, Etnoconhecimento, Xamanismo, Etnicidade, Gênero, Bilinguismo, Política Indígena e Indigenismo.




As pequenas esculturas figurativas produzidas pelos Guarani Mbya constituem representações de seres com os quais compartilham seu universo social e cultural.
No princípio os seres da mata eram pessoas como os Mbya.
Os "parentes" foram transformados em seres da mata pelo Pai Primordial, pois teriam cometido deslizes e perdido, desta forma, seu estatuto de humano.







Por meio de suas narrativas mito-poéticas sobre a origem doa animais, os Guarani Mbya explicam e contextualizam não apenas o "existir", como também as características comportamentais e de agência de seres humanos e sobre-humanos, naturais e sobrenaturais.





As esculturas zoomórficas são confeccionadas em
madeiras de árvores consideradas sagradas pelos Guarani Mbya, como a guajuvira e o ygari. Para os indígenas esse "bichinhos" expressam cópias de criações do demiurgo Ñanderu. Cada animal possui agência e simbologia específica, distinguidas e reveladas em plano onírico.
Na cosmovisão dos Guarani, a onça, tivi, figura no mito de criação do mundo, sendo criatura conhecida pelos indígenas desde os tempos primordiais; para esses indígenas, a onça é o animal que, de modo perfeito, simboliza os atributos de força, coragem e liderança.



*trecho retirado do Catálogo do Acervo Arqueológico e Etnográfico Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

Catálogo do acervo arqueológico&etnográfico/Coordenação de Walmir Pereira.-Porto Alegre: Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (CORAG), 2012.

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