quarta-feira, 4 de setembro de 2013

ETNOLOGIA INDÍGENAS - PARTE 2

Nas sociedades indígenas não há distinção ou separação entre objetos produzidos para serem utilizados e objetos estéticos, produzidos para serem contemplados.
Os grafismos encontrados nos trançados Guarani Mbya invocam as relações dos humanos com os ex-humanos, evidenciando os domínios da natureza e da sobrenatureza. Além disso, os seres aí representados remetem aos "tempos míticos primevos, nos quais humanos e divinos habitavam a mesma terra."

Os padrões gráficos sagrados foram ensinados aos Guarani Mbya por Ñanderu e não são vendidos aos juruá (brancos). O padrão ipará korá (desenho fechado quadrado), bem como o ipará panambi pepó (desenho da asa da mariposa) são comercializados. Estes grafismos são designados como 'inventados' pelos Guarani Mbya, isto é, "não teriam sido ensinados pelo filho de Nanderuvusu".
Nas tekoas (aldeias) Mbya, é a mulher que confecciona os cestos. Segundo narrativa mítica Guarani Mbya, o cesto, na sua origem, está ligado à mulher e os grafismos sagrados à pintura facial feminina.

O cesto com alça é utilizado pelo povo Kaingang durante a época de celebrar a festa do kiki; o kujá reúne com os péj, (ajudante de kujá) e com os membros da comunidade para trabalharem na preparação dessa festa. Ao chegar à mata fazem cestos de taquaruçu (taquara mais resistente) para transportar o mel coletado até o kujá. Os péj ficam com a responsabilidade de preparar a madeira na qual o mel permanecerá por sete dias. Este tipo de cesto, feito com menos resistência, também é comercializado.


O cesto sem alça é feito para guardar alimentos como, por exemplo, milho e pinhão; também é comercializado. Este tipo de cesto é decorado com grafismos que expressam significados culturais: representam as pinturas corporais e as marcas tribais denominadas kamé e Kairu.
Todos os kamé são parentes, primos e irmãos. Os kairu seguem esta mesma regra social e costume kaingang.













*trecho retirado do Catálogo do Acervo Arqueológico e Etnográfico Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

Catálogo do acervo arqueológico&etnográfico/Coordenação de Walmir Pereira.-Porto Alegre: Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (CORAG), 2012.

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